Osteotomia de Fêmur para Realinhamento

Para indicar a osteotomia de fêmur tem de existir um mau alinhamento do joelho, que pode ser adquirido (alguma lesão que o causou) ou constitucional (paciente é assim desde jovem).

O genuvalgo adquirido geralmente decorre de alguma lesão de cartilagem no lado lateral do joelho, fruto de por exemplo, uma lesão do menisco não tratada (ou uma perda desse menisco, após um trauma com remoção durante uma cirurgia), lesão da cartilagem pós-trauma, lesão crônica de um ligamento, fratura prévia, lesão repetitiva por determinada atividade ou mesmo obesidade, dentre outros.

Quais os sintomas?

O paciente percebe que o membro “entortou” ou “está entortando” para dentro com o joelho ficando mais junto que o normal e os pés mais separados. Geralmente tem dor no bordo externo do joelho às atividades ou mesmo pelo simples fato de andar ou ficar em pé por longos períodos.

osteotomia de fêmur

Quais opções de tratamento?

O tratamento com analgésico / anti-inflamatório aliado a fisioterapia / hidroterapia e perda de peso sempre é o tratamento inicial.

Medicações para suplementação da cartilagem e às vezes palmilhas (para casos leves) pode ser benéfico.

Mas quando a deformidade é elevada ou dolorosa sem melhora com o tratamento acima, realmente deve ser discutida a cirurgia de osteotomia do fêmur.

Como é a cirurgia de osteotomia de fêmur?

A cirurgia de osteotomia do fêmur envolve o realinhamento do membro através de uma osteotomia (cortar o osso). Primeiramente, deve-se realizar exames pré-operatórios como ressonância nuclear magnética e radiografia panorâmica (tipo de raio-x onde se pega todo o membro desde o quadril até o pé), além de exames laboratoriais e cardiológicos.

O paciente com genuvalgo apresenta desgaste na região lateral (externa) do joelho e devido o membro ter mal alinhamento, o peso corporal se transmite mais para o lado externo (justamente o lesionado) e pouco para o lado medial ou interno (que geralmente é saudável).

A função da osteotomia do fêmur, mais do que estética, é uma cirurgia para melhorar a função do membro e ao realinhar este membro (ou até mesmo provocar um pequeno desalinhamento para o lado oposto) a carga de peso é distribuída preferencialmente para o lado interno que deve ser saudável (por isso realizamos a ressonância e uma artroscopia do joelho, momentos antes da osteotomia, para avaliar se o compartimento medial realmente é saudável e capaz de receber o peso corporal).

Durante a cirurgia literalmente serramos o osso do fêmur e abrimos uma cunha, que receberá uma placa com uma espécie de calço de apoio e fixada com parafusos.

Como é a recuperação pós-operatória?

O mais inconveniente da cirurgia de osteotomia de fêmur é o fato de não poder pisar até haver uma consolidação (o osso calcificar). Isto gira em torno de 2 meses, podendo variar de acordo com cada paciente.

Orientações pós-operatórias >

Isto não significa que o paciente não deva se locomover. Isso pode ser feito com muletas e apoio do peso no membro não operado. Desde o primeiro dia após a cirurgia, o paciente já é estimulado a movimentar o membro para não perder mobilidade e prevenir atrofia muscular. A fisioterapia deve ser iniciada de imediato.

Como prevenir uma nova lesão?

A lesão da cartilagem é prevenida com uma vida saudável em termos de exercícios e peso corporal. Pacientes com lesão avançada, mesmo com a osteotomia, são futuros candidatos à prótese do joelho devido a cronicidade da lesão.

Tratamento da gonartrose >

A osteotomia funciona, muitas vezes, como um procedimento para adiar uma prótese em um paciente que ainda não atingiu idade para submeter-se à artroplastia.

Referências

Osteotomia supracondiliana femoral no tratamento da deformidade em valgo do joelho
Osteotomia femoral distal de varização para osteoartrose no joelho valgo: seguimento em longo prazo

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ortopedista de joelho
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Dr. Márcio R. B. Silveira, criou a Clínica Salus Ortopedia e Fisioterapia em Brasília-DF, para atuar principalmente no tratamento de lesões de cartilagem, buscando sua reparação e transplante; lesões de menisco com sutura em crianças e reparo; rupturas ligamentares articulares e sua reconstrução biológica e prevenção; tratamento da artrose, com medidas medicamentosas e artroplastias; tendinites e rompimento de tendões provocadas tanto por atividades esportivas, como por alterações degenerativas; fraturas em idosos que apresentam ossos mais frágeis; e enfoque na reabilitação muscular e postural, através de protocolo exclusivo baseado na análise cinemática da marcha.

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