Lesão parcial do ligamento cruzado anterior: operar ou não?

Sobre a ruptura do LCA

A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é muito frequente nos esportes, principalmente nos de contato físico e mudança brusca de direção e desaceleração. Uma das funções do ligamento é a de estabilizar o joelho, evitando a “anteriorização” e a rotação interna da tíbia em relação ao fêmur, principalmente estando o joelho entre 30 a 40 graus de flexão.

Evidências científicas indicam que há forte relação entre a falta de condicionamento físico e o preparo neuromotor com especificidade para determinado esporte e a lesão desta estrutura. Isso explica o índice maior desta lesão em atletas amadores em relação aos profissionais.

Estatisticamente, mulheres têm maior chance de sofrer a lesão em relação aos homens, e a isso estariam ligados fatores hormonais, anatômicos e neuromusculares. As lesões completas do LCA em pacientes jovens e ativos são, por consenso, de tratamento cirúrgico, pois, uma vez rompido, o ligamento tem potencial pobre de cicatrização.

ruptura parcial do lca

Por que lesões parciais do LCA ocorrem?

O LCA é uma estrutura composta por duas bandas: a anteromedial e a posterolateral. Lesões de baixa energia cinética como entorses leves ou quando o joelho é esticado além de seus limites fisiológicos, pode lesionar uma das bandas ou ambas, mas sem a ruptura completa. Em outras palavras: o LCA estica, mas não chega a se romper completamente.

Diagnóstico

Assim como em outras lesões, o diagnóstico depende muito da qualidade do examinador. Durante o exame físico, é importante que as manobras ligamentares sejam realizadas e sempre comparadas com o lado contra-lateral.

Os exames de imagem, principalmente a ressonância magnética devem ser analisados com cuidado. Imagens de qualidade ruim podem trazer um falso positivo. Por isso, assim como para qualquer lesão ortopédica, a correlação clínico-radiográfica é de suma importância.

Tratamento: operar ou não?

Depende do paciente e dos sintomas. Hoje em dia, o consenso mundial é de se indicar a cirurgia de reconstrução para as seguintes situações:

Atletas: o atleta pode ter queixas de instabilidade com consequente comprometimento no rendimento.

Pessoas ativas sintomáticas: esportistas que sentem falseio ou que perderam a confiança na estabilidade.

Outras lesões associadas: uma lesão completa do menisco medial, ao ser tratada, pode aumentar a instabilidade de uma lesão parcial do LCA.

Tratamento conservador

Um trabalho fisioterápico para fortalecimento do músculo anterior da coxa (quadríceps) e a introdução de exercícios de equilíbrio (proprioceptivos) são medidas de suporte. Nesta fase, o indivíduo precisa trocar a atividade esportiva que pratica outras atividades. Natação, ciclismo e, em alguns casos, até mesmo a corrida. Além de evitar a sensação do falseio, estes exercícios também auxiliam na manutenção da capacidade física. O ganho de força é fundamental. Retorno gradual para o esporte, após 8 meses.

Referências

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ortopedista de joelho
ortopedista de joelho

Dr. Márcio R. B. Silveira, criou a Clínica Salus Ortopedia e Fisioterapia em Brasília-DF, para atuar principalmente no tratamento de lesões de cartilagem, buscando sua reparação e transplante; lesões de menisco com sutura em crianças e reparo; rupturas ligamentares articulares e sua reconstrução biológica e prevenção; tratamento da artrose, com medidas medicamentosas e artroplastias; tendinites e rompimento de tendões provocadas tanto por atividades esportivas, como por alterações degenerativas; fraturas em idosos que apresentam ossos mais frágeis; e enfoque na reabilitação muscular e postural, através de protocolo exclusivo baseado na análise cinemática da marcha.

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