Lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho

Perguntas e respostas

O que é?

A Lesão no Ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões mais comuns no joelho. Devido ao aumento da prática de atividades esportivas e recreativas pela população mundial e brasileira, existe uma expectativa do número de indivíduos lesionados estar aumentando.

Lesão do ligamento cruzado anterior (LCA)

Estudos recentes observaram que a incidência da lesão do ligamento cruzado anterior em mulheres atletas é 8x maior do que em homens atletas que praticam o mesmo esporte. Possíveis razões para esse achado são: alterações da força muscular; lassidão ligamentar (maiores nas mulheres); alterações estruturais do joelho feminino (intercôndilo mais curto); menor resistência a cargas aplicadas ao joelho.

Programa de treinamento para prevenção de lesão do LCA >

Associações entre ciclo menstrual em atletas e lesões do lca também foram avaliados, observando maiores lesões durante as fases pre-ovulatória e ovulatória, nas quais ocorrem um pico na produção de estrogênio. Estes achados sugerem que, as lesões de LCA sem contato físico em mulheres atletas, podem estar correlacionadas com flutuações hormonais.

Uma recente meta análise, concluiu que treinamento neuromuscular e fortalecimento muscular podem reduzir de forma consistente, o risco de lesões do LCA em mulheres atletas, principalmente naquelas menores de 18 anos de idade.

Lesões associadas à lesão do ligamento cruzado anterior, afetam o manejo cirúrgico e os resultados de uma reconstrução ligamentar. Em estudo que avaliou 263 pacientes com lesões do LCA, os que lesaram o ligamento com mecanismo de trauma que envolvia saltos, obtiveram uma taxa significativamente alta de lesões meniscais associadas.

Peso, altura e o IMC (índice de massa corpórea), também são associados à uma taxa de lesões associadas elevadas, e a redução do peso e consequentemente do IMC diminuem o índice de lesões associadas e possuem um melhor resultado pós-operatório.

Quem está sob risco?

Acomete principalmente os indivíduos que praticam esportes, de forma recreacional ou profissional, que contenham movimentos de rotação ou deslocamentos laterais como futebol, vôlei, basquete, tênis, ski, lutas (Judô, Jiu-Jitsu e outros) e outros. As mulheres estão sob maior risco que os homens, porém como o número absoluto de praticantes de esportes de risco para a lesão de LCA são homens, estes são numericamente mais acometidos.

Conheça mais sobre as causas de lesão do LCA >
Protocolo fisioterápico preventivo >

Quais são os sintomas?

Sintomas agudos:

No momento da lesão, o paciente normalmente ouve ou percebe um grande estalo seguido de dor e inchaço e derrame articular (aumento do volume de líquido no joelho). Com o passar do tempo, as dores e inchaço diminuem e em alguns casos desaparecem completamente em poucos dias, em outros os sintomas e sinais persistem por mais tempo.

Sintomas crônicos:

O principal sintoma crônico da lesão do LCA é a instabilidade do joelho. A instabilidade é o nome dado para a sensação de falseios e deslocamentos do joelho que o paciente, por vezes, sente. Nem todos os pacientes desenvolvem a instabilidade do joelho, mas quando presente representa um risco maior para o desenvolvimento de lesões em outras estruturas do joelho e para um desenvolvimento precoce de artrose no joelho.

Algumas vezes, o paciente não tem instabilidade propriamente dita, com episódios de falseio bem estabelecidos, mas tem muita insegurança para utilizar o joelho de maneira plena. Uma investigação cuidadosa deve ser estabelecida nestes casos, pois pode se tratar de uma lesão parcial do LCA, com uma das duas banda rompida e outra preservada.

Quais são as causas?

A lesão do ligamento cruzado anterior ocorre na imensa maioria das vezes em virtude de uma torção do joelho ou em alguns poucos casos devido a lesões por hiperextensão desta articulação como nos “chutes no ar”. No Brasil, o futebol é responsável pela maioria dos casos de lesão de LCA. Outros esportes e atividades de risco incluem o basquete, vôlei, tênis, esqui, lutas e dança.

Além dos esportes, a lesão do LCA pode ocorrer devido a entorses do joelho no ambiente doméstico ou profissional e como consequência de acidentes de trânsito.

Como faz o diagnóstico?

O diagnóstico normalmente é clínico. O médico através da história do paciente (trauma torcional) em conjunto com o exame físico (o joelho apresenta um grande inchaço que ocorre pouco minutos após a lesão) e outros testes feitos pelo médico já se consegue chegar ao diagnóstico em grande parte dos casos. A ressonância magnética é um exame complementar utilizado para confirmar o diagnóstico.

Existe outra situação onde o paciente rompe o ligamento mas não procura o ortopedista ou sabendo da lesão opta por não operar, nestes casos estaríamos diante de uma lesão crônica do ligamento cruzado anterior.

Na lesão crônica muitas vezes o paciente não apresenta edema ou dor, a queixa principal nestes casos é a instabilidade, ou seja, o joelho apresenta-se frouxo e os entorses são frequentes e no caso de atletas, estes normalmente não conseguem praticar seus esportes.

Com o passar do tempo, devido a esta instabilidade, o joelho pode apresentar outros problemas tais como artrose precoce (seria um desgaste do joelho que ocorre antes do que ocorreria normalmente), lesões de meniscos entre outros.

Como é o tratamento?

O tratamento das lesões do LCA nem sempre é cirúrgico. A decisão sobre a melhor maneira de abordar essas lesões depende de vários fatores:

Instabilidade. Sim ou não?

  • Atividades esportivas exercidas ou pretendidas pelo paciente.
  • Atividades profissionais exercidas pelo paciente.
  • Se há instabilidade, o tratamento normalmente é cirúrgico.
  • Se o paciente deseja praticar esportes que envolvam movimentos de rotação sobre o joelho ou deslocamentos laterais, o tratamento normalmente é cirúrgico.
  • Se o paciente é profissional, cujo trabalho envolva situações de risco para torções do joelho como policiais, trabalhadores da construção civil e outros, o tratamento cirúrgico deverá ser seriamente discutido.

No entanto, se o paciente não tem pretensões esportivas ou deseja praticar esportes que não têm risco como musculação, natação, ciclismo ou corrida e não tem instabilidade, o tratamento poderá ser conservador (sem cirurgia).

Protocolo de fortalecimento após lesão do LCA >

Nos casos de tratamento conservador, o fortalecimento dos grupos musculares dos membros inferiores deverá ser executado e mantido para a proteção da articulação e para manutenção do padrão de estabilidade, além do uso de joelheiras em situações de risco de torção. Caso contrário, a articulação que era estável pode passar a instável e a recomendação cirúrgica se impor.

Indicações para reconstrução do LCA

Em geral após 3 a 4 semanas da lesão inicial, quando o paciente (pcte) possuir um arco de movimento completo do joelho, deve-se decidir se o mesmo deverá realizar a reconstrução ligamentar ou se será optado pelo tratamento conservador (não cirúrgico).

Em um estudo americano realizado por Noyes e col., foram avaliados 103 atletas após 5 anos da lesão inicial dos mesmos. Cerca de 82% dos pctes avaliados retornaram a praticar esporte nos primeiros 6 meses de lesão, sem reconstruir o ligamento. Porém, após um ano, 55% sofreram novas lesões no joelho acometido inicialmente, e apenas 35% dos pctes avaliados conseguiram manter a prática esportiva prévia à lesão.

Barrack e col. realizaram um estudo analisando população de aspirantes da marinha americana, observando que 69% dos pctes tratados sem cirurgia evoluíram com novas lesões e incapacidade para retorno às atividades exigidas pela Força naval americana.

Todo caso deve ser analisado individualmente. A decisão para reconstruir ou não o LCA, deve ser tomada analisando não somente a presença de sintomas de instabilidade no joelho, mas também no estilo de vida e no nível de atividade do pcte. Atualmente a idade não é levada em consideração e sim a demanda física.

Observamos hoje, um aumento geral da população de todas as idades, em atividades físicas recreacionais, como caminhadas, corridas, bicicleta entre outras.

Em uma pesquisa realizada por Plancher e col. foi observado 97% de bons resultados após reconstrução ligamentar do LCA em pacientes maiores de 40 anos de idade em 4 anos e meio de seguimento.

Pacientes sintomáticos com um estilo de vida mais sedentário e aqueles que estão dispostos a mudar seu estilo de vida, podem ser considerados bons candidatos para o tratamento não cirúrgico, devendo os mesmos a realizarem um intenso programa de reabilitação.

Para retorno à esportes de alta demanda física e que exijam movimentos de parada súbita e de mudança de direções repentinas a reconstrução do LCA é bem indicada, pois existe uma alta taxa de novas lesões em pacientes tratados conservadoramente em que tentam retornar à pratica esportiva, levando estes a um alto potencial de sequelas que incapacitam ao retorno a esportes em alta performance.

Um estudo Noruegues revisou 3475 pctes com lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), chegando à conclusão que os riscos de novas lesões na cartilagem aumentam 1% a cada mês nos pctes que não realizaram reconstrução de LCA.

Como é a reabilitação pós operatória e o retorno ao esporte?

Quando o tratamento cirúrgico para a lesão do ligamento cruzado anterior é indicado, o paciente precisa ser esclarecido que haverá necessidade de tratamento fisioterápico logo após e que este deverá ser realizado por meses até o retorno do paciente ao esporte ou às suas atividades, ou até mesmo depois disso.

Instruções de pós-operatório >
Testes para saber se pode retornar ao esporte >

O retorno ao esporte dependerá de vários fatores como:

  • Força e controle muscular
  • Amplitude de movimento do joelho
  • Capacidade de realizar gestual próprio do esporte a ser praticado
  • Cicatrização do novo ligamento

Todos os parâmetros, com exceção do último, podem ser objetivamente mensurados ou controlados. Estes parâmetros são conquistados, se o paciente realizar corretamente a reabilitação pós operatória, em torno dos 8 meses pós cirurgia.

É por isso, que a maioria dos protocolos atuais de reabilitação permitem o retorno ao esporte em 8 meses, pois é quando ocorre a cicatrização completa do novo ligamento, e o paciente deve ter consciência desse fato, já que o retorno precoce pode colocar a cirurgia em risco.

Referências:

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ortopedista de joelho
ortopedista de joelho

Dr. Márcio R. B. Silveira, criou a Clínica Salus Ortopedia e Fisioterapia em Brasília-DF, para atuar principalmente no tratamento de lesões de cartilagem, buscando sua reparação e transplante; lesões de menisco com sutura em crianças e reparo; rupturas ligamentares articulares e sua reconstrução biológica e prevenção; tratamento da artrose, com medidas medicamentosas e artroplastias; tendinites e rompimento de tendões provocadas tanto por atividades esportivas, como por alterações degenerativas; fraturas em idosos que apresentam ossos mais frágeis; e enfoque na reabilitação muscular e postural, através de protocolo exclusivo baseado na análise cinemática da marcha.

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