Como tratar lesões do ligamento cruzado posterior (LCP)

Classificação das lesões do ligamento cruzado posterior

As lesões do ligamento cruzado posterior podem ser classificadas em função de sua gravidade:

  • Grau I: rotação até 0,5 cm, ligamento ligeiramente distendido, com o joelho ainda estável.
  • Grau II: rotação até 1 cm, ruptura parcial com tendão frouxo;
  • Grau III: rotação acima de 1 cm, ruptura total do ligamento com instabilidade do joelho.

Anatomia do ligamento cruzado posterior >

Estas classificações consideram o deslocamento posterior da tíbia em relação ao fêmur quando o joelho está flexionado a 90°. Essas classificações são importantes para a indicação do tratamento.

ligamento cruzado posterior

Tratamentos:

Ao contrário do ligamento cruzado anterior, aqui as rupturas tem grande potencial de uma regeneração espontânea, principalmente na lesão isolada.

Tratamento conservador

Para estes casos, o tratamento inicial inclui:

  • repouso
  • gelo
  • compressão
  • elevação

A maior parte dos pacientes é liberada para caminhar, desde que use uma órtese articulada e com proteção de posteriorização da tíbia, nas seis primeiras semanas, para que o joelho fique protegido e os ligamentos possam cicatrizar.

Após controle da dor e do inchaço, em torno de 3 semanas, deverá ser feito um reforço muscular com ênfase no ganho do músculo quadríceps. Finalmente, será possível retomar à prática esportiva sem problemas de estabilidade no joelho.

Tratamento operatório

A cirurgia do joelho para reconstrução do ligamento cruzado posterior é indicada quando:

– O paciente não apresenta sucesso com o tratamento conservador e fortalecimento muscular;

– Há grande instabilidade do joelho – grau 3;

– Há lesão de outros ligamentos do joelho.

A cirurgia será necessária quando existe lesão de outras estruturas associada, como do canto póstero-lateral do joelho ou do ligamento cruzado anterior, e passa pela reconstrução do ligamento mediante o recurso de um enxerto, sendo utilizada a técnica da artroscopia.

Reconstrução do LCP por artroscopia

Após a retirada do fragmento de tendão, é realizada a cirurgia de artroscopia (por vídeo) onde o cirurgião realiza mini-incisões (ou “furinhos”) na frente do joelho e coloca uma óptica que fornece imagens por uma microcâmera conectada a um aparelho de televisão. Esta técnica de artroscopia propicia grande precisão com pouca “agressão” cirúrgica, permitindo ao paciente uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Além da reconstrução do LCP, a técnica de artroscopia auxilia no diagnóstico e no tratamento das lesões associadas como as rupturas de menisco e lesão de cartilagem.

Ao visualizar toda a articulação do joelho pela televisão, o cirurgião confecciona túneis ósseos precisos nas inserções do LCP por onde são passados os fragmentos de tendão. Após a colocação do novo ligamento cruzado posterior, ele é fixado junto ao osso com uso de pequenos parafusos ou pinos.

Pós-operatório

O processo de recuperação após a cirurgia é lento, ao longo de diversos meses, implicando fisioterapia que deve ser iniciada 1 a 4 semanas após a cirurgia.

A fisioterapia deve ser realizada por 3 a 6 meses e é seguida de fortalecimento muscular.

Geralmente, o atleta é orientado para o retorno gradual ao esporte. Isso ocorre quando há um bom condicionamento muscular e um bom equilíbrio do joelho. O tempo gira em torno de 6 a 9 meses, dependendo de cada paciente.

Prevenção:

Algumas dicas para ajudar a prevenir as lesões do joelho relacionadas com esporte, podem ser seguidas:

  • Fazer aquecimento e alongamentos antes de participar de atividades esportivas;
  • Fortalecer os músculos que rodeiam o joelho através de um programa de condicionamento físico dirigido para cada indivíduo;
  • Evitar aumento rápido na intensidade do programa de treino;
  • Usar calçados confortáveis que proporcionem um bom apoio e se adaptem bem aos pés e ao esporte;

Referências

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ortopedista de joelho
ortopedista de joelho

Dr. Márcio R. B. Silveira, criou a Clínica Salus Ortopedia e Fisioterapia em Brasília-DF, para atuar principalmente no tratamento de lesões de cartilagem, buscando sua reparação e transplante; lesões de menisco com sutura em crianças e reparo; rupturas ligamentares articulares e sua reconstrução biológica e prevenção; tratamento da artrose, com medidas medicamentosas e artroplastias; tendinites e rompimento de tendões provocadas tanto por atividades esportivas, como por alterações degenerativas; fraturas em idosos que apresentam ossos mais frágeis; e enfoque na reabilitação muscular e postural, através de protocolo exclusivo baseado na análise cinemática da marcha.

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